Enquanto o livro não vem.


As palavras de hoje já não me servem mais. Apertam a garganta, esmagam o peito, seguram os pulsos e tornozelos. São pequenas, escassas, puídas. Algumas são promessas em tiras, declarações rasgadas, desejos em flores bordadas numa antiga almofada. Ou simplesmente costuras mal feitas de quem nunca conseguiu dizer nada. Nessa colcha velha de retalhos que tecem os anos, há buracos que já não se pode remendar. Mesmo assim insisto em coser frases desconexas, unir sílabas em tramas que me envolvem, escondem, absorvem e deixam de fora o que tanto quero falar.



Escrito por Cíntia Rosângela às 17h48
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