Enquanto o livro não vem.


A ponte.

 

Eu sou a ponte.

A maldita que separa os amantes

A que de um lado anda perdida

E do outro se curva à solidão

Sou mão única que aproxima o louco

divide os corações,

permite a caminhada soturna do lobo

e sepulta os suicidas.

Sou aquela que te leva para o outro lado

Que range quando pisas

E que mesmo assim se balança toda de felicidade

sempre que por mim retornas.



Escrito por Cíntia Rosângela às 14h38
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Cansado, senta-se à espera da próxima estação.

Os olhos de catarata avistam ao longe a bela

que serpenteia entre os botões dos jasmineiros, toda em cor.

Chega de mansinho, enquanto da boca do ancião

um sorriso floresce ao reconhecê-la.

Ora, se não era a sua Prima?! Aquela tal de Vera...



Escrito por Cíntia Rosângela às 17h49
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É triste.

Triste é o caminho sem pedras

É a rosa, desprotegida, sem espinhos

É a voracidade da formiga

que transforma o jasmineiro em flor

em cadavéricos galhos sem nenhuma cor

Triste é a boca de lobo que não uiva

e engole calada, qualquer desaforo ou cusparada

Triste é o sol que se deita antes do anoitecer

São as pupilas minhas sempre dilatadas

Na esperança de te ver.

Mais triste ainda será quando chegar o dia

e eu não te reconhecer...



Escrito por Cíntia Rosângela às 22h27
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Você arranha-céu
Eu, cascalho à beira da estrada
Teu norte, sempre uma novidade
Eu, desnorteada
Teu mundo, multidão
Enquanto eu me encontro
e reencontro na solidão.



Escrito por Cíntia Rosângela às 14h31
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Sentido?

Algumas palavras soam como um zumbido

Tem sempre uma voz que sucumbe ao ouvido

Uma única flor pode ter mais de uma cor

Nem sempre o que se encontra está realmente perdido

Há sempre um coração por aí, partido

... e para o amor, qual o sentido?



Escrito por Cíntia Rosângela às 23h54
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!

A rotina é aquela mancha no vestido favorito, difícil de tirar e que a gente nunca lembra como foi parar lá. É o vazio do estômago que se contenta com qualquer preenchimento. É o sorriso que foge da face e vai esconder-se pelas gavetas frias da mesa do escritório. A rotina venda os olhos, outrora cheios de novidades a cintilar como estrelas, num céu de todas as cores e sabores. A rotina é o dedo em riste, corpo que se molda no canto frio da parede. É a sede que faz da alma, deserto - num tempo sem medidas controlado por tic-tacs que anunciam a bomba da paciência prestes a detonar.



Escrito por Cíntia Rosângela às 18h52
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Amor é aquele aperto no peito             

O instante que tempo engole sem sentir

é afogar-se no mar vazio do teu olhar

É o estômago a se contorcer raivoso

Face que serena no entreabrir das pálpebras

Engasmo sem propósito

É aquela palavra que falta

É perder-se sem ter se encontrado

Te encontrado...

É o querer que se conjuga em todos os tempos

Vai além do desejo e se transforma em desespero

Asa partida que impossibilita o voo

Jasmineiros sem flor

Vento que abafa

Estrada inacabada

Amor é tempo que se perde...

 

 



Escrito por Cíntia Rosângela às 23h50
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Meu.

 

Meu

Se por vezes me engano

e de meu amor te chamo

não me julgues assim

a possessividade está no pronome

não em mim.



Escrito por Cíntia Rosângela às 19h26
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Ainda assim.

Se depois de tudo que não vivi

Inda assim tivesse eu um coração

Até diria num sussurro ao pé de um surdo ouvido

Que insisto em costurar latejantes cicatrizes

Em grosso fio de completa desilusão

De paixões vividas em sonhos

Em meio a beijos sem sabor

Enlaços sob torrente chuva de jasmins,

e braços invisíveis me perdi.

Sou toda destroços, pedaços, solidão

Um peito vazio, que arfa sem querer

Uma face estranha que ninguém vê

E ainda assim sigo por estradas

Na esperança de te ver.



Escrito por Cíntia Rosângela às 23h43
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!

Palavras emergem do fundo do copo

e invadem minha boca num único gole

como um beijo amargo, que adormece a língua

e fogem em frases desconexas

enrolam-se as sílabas, algumas se agarram

prendem-se  à saliva e as engulo sem querer

e mesmo assim não consigo acabar

com esse desejo louco de te ver...



Escrito por Cíntia Rosângela às 17h52
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Amanheceu.

Difícil é para a noite despedir-se da madrugada

Ora, intensa, nebulosa, solitária

São tantas as mágoas, que desaba

Um choro que começa lento

E em soluços disfarça o tormento

De mais uma noite inacabada.

Um pranto que rola infinito pelas calçadas

Beija a boca tua, afoga as minhas mágoas.



Escrito por Cíntia Rosângela às 23h40
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Há pouco imaginei ser engolida pela misteriosa imensidão branca à minha frente.

E até desejei isso. Viver num universo sem palavras, sem pautas a me espremer,

nem olhares frios que insistem em não me querer. E assim perder-me de vez, silenciar talvez.

Dar adeus às sombras que me espreitam noite e dia em meio ao todo que não é nada.



Escrito por Cíntia Rosângela às 18h10
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Túmulo vazio.

Não sou punk, gótico ou coveiro.

Sou apenas um homem amarrado ao mastro de um velho barco

que navega sob os comandos de um cego marinheiro.



Escrito por Cíntia Rosângela às 17h27
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Me apaixonei por um fantasma.

entre escombros de mim e

ilusões perdidas em meio ao nada

sou eu quem vive por aí a penar

e de bar em bar caminho sem sossego

são ébrios os passos, assombros noturnos

de um corpo que desaba exaurido de tanto andar

pelos destroços e risos insanos

mais uma vez me levanto

e nos braços de uma esperança mórbida,

entre tropeços e desenganos

adormeço sem te encontrar...



Escrito por Cíntia Rosângela às 15h17
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As palavras de hoje já não me servem mais. Apertam a garganta, esmagam o peito, seguram os pulsos e tornozelos. São pequenas, escassas, puídas. Algumas são promessas em tiras, declarações rasgadas, desejos em flores bordadas numa antiga almofada. Ou simplesmente costuras mal feitas de quem nunca conseguiu dizer nada. Nessa colcha velha de retalhos que tecem os anos, há buracos que já não se pode remendar. Mesmo assim insisto em coser frases desconexas, unir sílabas em tramas que me envolvem, escondem, absorvem e deixam de fora o que tanto quero falar.



Escrito por Cíntia Rosângela às 17h48
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