Meu.
MeuSe por vezes me engano e de meu amor te chamo não me julgues assim a possessividade está no pronome não em mim.
Escrito por Cíntia Rosângela às 19h26
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Ainda assim.
Se depois de tudo que não vivi
Inda assim tivesse eu um coração
Até diria num sussurro ao pé de um surdo ouvido
Que insisto em costurar latejantes cicatrizes
Em grosso fio de completa desilusão
De paixões vividas em sonhos
Em meio a beijos sem sabor
Enlaços sob torrente chuva de jasmins,
e braços invisíveis me perdi.
Sou toda destroços, pedaços, solidão
Um peito vazio, que arfa sem querer
Uma face estranha que ninguém vê
E ainda assim sigo por estradas
Na esperança de te ver.
Escrito por Cíntia Rosângela às 23h43
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!
Palavras emergem do fundo do copo
e invadem minha boca num único gole
como um beijo amargo, que adormece a língua
e fogem em frases desconexas
enrolam-se as sílabas, algumas se agarram
prendem-se à saliva e as engulo sem querer
e mesmo assim não consigo acabar
com esse desejo louco de te ver...
Escrito por Cíntia Rosângela às 17h52
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Amanheceu.
Difícil é para a noite despedir-se da madrugada
Ora, intensa, nebulosa, solitária
São tantas as mágoas, que desaba
Um choro que começa lento
E em soluços disfarça o tormento
De mais uma noite inacabada.
Um pranto que rola infinito pelas calçadas
Beija a boca tua, afoga as minhas mágoas.
Escrito por Cíntia Rosângela às 23h40
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Há pouco imaginei ser engolida pela misteriosa imensidão branca à minha frente.
E até desejei isso. Viver num universo sem palavras, sem pautas a me espremer,
nem olhares frios que insistem em não me querer. E assim perder-me de vez, silenciar talvez.
Dar adeus às sombras que me espreitam noite e dia em meio ao todo que não é nada.
Escrito por Cíntia Rosângela às 18h10
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Túmulo vazio.
Não sou punk, gótico ou coveiro.
Sou apenas um homem amarrado ao mastro de um velho barco
que navega sob os comandos de um cego marinheiro.
Escrito por Cíntia Rosângela às 17h27
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Me apaixonei por um fantasma.
entre escombros de mim e
ilusões perdidas em meio ao nada
sou eu quem vive por aí a penar
e de bar em bar caminho sem sossego
são ébrios os passos, assombros noturnos
de um corpo que desaba exaurido de tanto andar
pelos destroços e risos insanos
mais uma vez me levanto
e nos braços de uma esperança mórbida,
entre tropeços e desenganos
adormeço sem te encontrar...
Escrito por Cíntia Rosângela às 15h17
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As palavras de hoje já não me servem mais. Apertam a garganta, esmagam o peito, seguram os pulsos e tornozelos. São pequenas, escassas, puídas. Algumas são promessas em tiras, declarações rasgadas, desejos em flores bordadas numa antiga almofada. Ou simplesmente costuras mal feitas de quem nunca conseguiu dizer nada. Nessa colcha velha de retalhos que tecem os anos, há buracos que já não se pode remendar. Mesmo assim insisto em coser frases desconexas, unir sílabas em tramas que me envolvem, escondem, absorvem e deixam de fora o que tanto quero falar.
Escrito por Cíntia Rosângela às 17h48
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A última hora
A última hora pode ser perto da meia noite, mas também pode ser meio dia,
um diário do interior ou o relógio que desperta. Pode ser o sopro da morte,
o arfar do peito que se paralisa silente. A última hora também pode ser o
leite que se derrama, o atraso, a chegada, a partida, o tempo que corre
desgovernado junto com o vento e pior: pode ser decepção, mão vazias,
por quês, senãos, desculpas que apunhalam...
Escrito por Cíntia Rosângela às 14h08
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reflexo do desencontro.
Vivo uma busca solitária
Procuro alguém que ninguém sabe
alguém que ninguém mais viu
E na ilusão do copo cheio
me perco pelas madrugadas
noites vagando por ébrias sombras
Risadas perdias em meio ao nada
e a certeza refletida em uma poça d’água:
não andamos do mesmo lado da calçada.
Escrito por Cíntia Rosângela às 17h25
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se encontro...
Guardo naquela terceira gaveta
no interior do velho armário embutido
que já não se sabe mais se é parede ou bolor
o olhar que de ti roubei um dia.
Os beijos não pude conservar
perdi-os entre salivas
gélidas bocas, fel e mal-estar.
Na mesma gaveta, bem lá no canto
escondi um punhado de desilusão
que aumenta a cada dia
incômodo fundo prestes a desabar abarrotado de vontade de te reencontrar.
Escrito por Cíntia Rosângela às 12h50
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Escrito por Cíntia Rosângela às 09h59
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Alguém que anda por aí...
Alguém que anda por aí
que nem sei o nome
em mim se esconde
não aparece e some
Alguém que me encontrou
só para atormentar
e que não veio para ficar
Transformou em deserto os lábios meus
me deixou sem ar e desapareceu
só restou o suor em minhas mãos
que transpira a vontade louca de reencontrar.
Escrito por Cíntia Rosângela às 13h20
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Nada, nada...
Antes eu achava que não escrevia por não ter tempo. Agora, me bate ao ombro, com seus dedos gelados, a Certeza. E, Ela que chegou silente, neste instante sussurra e já logo grita que não escrevo porque me sobra preguiça. Tento argumentar, mas leviana e perversa, insiste que o tempo existe. Digo-lhe que nada tenho, nem amores, desamores, feridas ou saudades, somente relógios a me vigiar. Explico a quantidade diária de folhas em branco preenchidas e que não dizem nada, e, é em meio a essa aridez, que me falta tempo para as palavras. Não essas que vendem, iludem, mas as outras que revelam os vôos das verdes borboletas sobre jasmineiros em flor. Estéril canteiro de letras infecundas, desordenadas, mudas, inacabadas. E a inspiração questionará o sonhador. Inspiração? Nada sei sobre ela, ultimamente. Se quer tem me visitado e talvez nunca a tenha conhecido. Não recordo, afinal, de algum dia ter encontrado seu úmido olhar. E aquele dedo certeiro, que antes me cutucava o ombro, agora a centímetros de meu nariz me fere como um tiro, punhalada. E, eu passiva e preguiçosa diante deste emaranhado de palavras mais uma vez não consigo escrever nada.
Escrito por Cíntia Rosângela às 13h38
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Perdição.
Me tomas por leviana, eu sei Mas, te peço bem baixinho Ao teu ouvido, devagarinho Não me julgues assim Tão rapidamente Não me lance este olhar pungente Arranque do peito este espinho Tente esquecer o que aconteceu Se em voluptuosa noite enlouqueci Ri um riso que não era meu Não pense que te esqueci Apenas por instantes saí de mim Intermináveis sobrevôos pelos jasmineiros Até que em fungoso tronco adormeci Um raio de sol meu peito transformou em dois desperto, me inquieto e quase morro ao imaginar que em meio a ébrios beijos te perdi.
Escrito por Cíntia Rosângela às 14h29
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